O ponto de largada
Quando entrei no projeto, a Run In estava se preparando para lançar a sua primeira versão pública. A proposta era criar e centralizar o ecossistema de corrida em um único lugar, abrangendo desde a divulgação de eventos e auxílio a assessorias até a logística de retirada de kits e venda de produtos relacionados.
Apesar da ambição, a plataforma ainda não tinha realizado nenhuma venda. O site possuía apenas um layout inicial e o fluxo principal, retirada de kit, ainda não estava completo.
O meu papel foi ajudar a transformar esse layout inicial em uma experiência completa e funcional, equilibrando boas práticas de UX com as restrições técnicas e a necessidade de novas funcionalidades demandadas pelo cliente.


Desafio
Embora o site possuísse uma estrutura inicial construída diretamente entre o cliente e o desenvolvedor, a jornada de compra ainda não havia sido validada com usuários reais.
O desafio era técnico e estratégico: ao mesmo tempo em que precisávamos finalizar o fluxo de retirada de kit para viabilizar a primeira venda, o projeto sofria uma pressão constante para inclusão de novas ideias.
Isso criou um risco claro: construir uma plataforma vasta, porém incapaz de converter usuários no seu ponto mais crítico.
Objetivo
Finalizar e proteger o escopo do MVP
Transformar as telas e fluxos iniciais em uma primeira versão funcional, evitando que novas ideias paralelas comprometessem o lançamento.Validar e garantir a eficácia do fluxo principal
Testar a jornada de retirada de kit com usuários reais para identificar pontos de atrito antes das primeiras vendas.Alinhar prioridades de produto e negócio
Direcionar o esforço para o que era mais importante naquele momento: colocar a plataforma no ar, viabilizar a conversão e deixar evoluções secundárias para etapas futuras.
Em outras palavras: garantir que a Run In fizesse o “arroz com feijão” antes de tentar inovar em frentes secundárias.

Diagnóstico inicial e validação com usuários
Antes de propor mudanças mais estruturais, analisei o estado atual da plataforma para entender quais eram os principais obstáculos para que o MVP pudesse ir ao ar.
Além de atender solicitações diretas do cliente, que naquele momento estavam mais concentradas na superfície da interface, também recrutei potenciais usuários dentro do perfil do público-alvo para identificar pontos de atrito que poderiam comprometer a experiência caso não fossem tratados antes do lançamento.
Para isso, comecei mapeando a jornada do principal serviço: a retirada de kit de corrida.


Em uma planilha separada, essa jornada foi simplificada em apenas 6 etapas, com o objetivo de poder documentar feedbacks de cada participante durante o decorrer do teste.
Esses resultados foram pontuados com base no quão frequentemente certas queixas se repetiram, assim como no risco que elas apresentavam para se tornar o fator decisivo de desistência do usuário.
Todos os participantes conseguiram concluir a tarefa, mas foram identificados possíveis gargalos, depois resumidos para apresentar ao cliente de forma sucinta e já com sugestões de ação.
A partir dos testes, organizei os feedbacks em uma tabulação mais acionável, separando o que era percepção pontual, o que se repetia entre participantes e o que poderia representar risco real para a conversão.
Essa etapa foi importante para transformar entrevistas e observações qualitativas em decisões mais objetivas. Em vez de tratar cada comentário como uma solicitação isolada, busquei identificar padrões de atrito na jornada, hipóteses de melhoria e possíveis ações para reduzir dúvidas, inseguranças e esforço do usuário.
Com isso, os aprendizados deixaram de ser apenas registros de pesquisa e passaram a orientar ajustes concretos no produto.

Da pesquisa aos acionáveis
Os feedbacks dos usuários ajudaram a trazer mais clareza sobre a jornada principal de retirada de kit, mas também revelaram pequenos pontos de atrito espalhados por diferentes telas da plataforma.
Mesmo quando esses pontos não estavam diretamente ligados ao fluxo de compra, eles impactavam a percepção geral de confiança, clareza e maturidade do produto. Por isso, os aprendizados da pesquisa foram usados não apenas para revisar a jornada principal, mas também para refinar páginas, banners, instruções, hierarquias de informação e momentos de suporte ao usuário.
Na prática, essa etapa ajudou a concluir o MVP com mais critério: priorizando o que precisava estar pronto para viabilizar as primeiras vendas, sem perder de vista a evolução futura da plataforma.


Para facilitar o alinhamento com cliente e desenvolvimento, organizei os acionáveis em uma matriz de priorização, considerando impacto, urgência, recorrência dos problemas e esforço de implementação.
Essa visualização ajudou a separar o que era essencial para o lançamento do MVP, o que poderia ser ajustado em paralelo e o que deveria permanecer como evolução futura. Dessa forma, as decisões deixaram de depender apenas de percepção individual e passaram a ter uma lógica mais clara de prioridade.
A matriz também funcionou como uma ferramenta de gestão do escopo, ajudando a proteger o lançamento contra mudanças paralelas que poderiam atrasar a entrega ou desviar o foco das primeiras conversões.
Além dos ajustes de interface, organizei o arquivo no Figma para facilitar o acompanhamento do projeto pelo cliente e pelo time de desenvolvimento.
As telas foram estruturadas por versão, etapa e área da plataforma, permitindo visualizar com mais clareza o que já havia sido ajustado, o que estava em andamento e como a experiência evoluía ao longo do processo.
Essa organização ajudou a reduzir ruídos de comunicação, apoiar decisões durante as revisões e tornar o handoff mais claro para implementação.

Ajustes aplicados e primeiras vendas viabilizadas
Embora ainda existam diversas funcionalidades idealizadas no roadmap de longo prazo da Run In, os testes de usabilidade ajudaram a orientar ajustes mais assertivos no curto prazo.
Isso não apenas evitou o desenvolvimento prematuro de funcionalidades que não necessariamente trariam retorno imediato ao negócio, como a ideia de um “Tinder para corredores”, mas também contribuiu diretamente para viabilizar as primeiras vendas da plataforma.











Conclusão e aprendizados
Ao longo do projeto, ficou evidente a necessidade de equilibrar evolução de produto com foco no que realmente gera resultado.
Em um contexto onde novas ideias surgiam com frequência, foi essencial estruturar decisões com base em dados e evidências, reduzindo a dependência de percepções individuais e direcionando o esforço para o que impactava diretamente a experiência e a conversão.
Esse processo exigiu não apenas execução em UX, mas também um papel ativo na facilitação entre áreas, alinhando expectativas, priorizando entregas e garantindo que o produto avançasse de forma consistente, mesmo em um cenário dinâmico.
Antes de melhorar tudo, foi preciso direcionar o esforço.

