A ideia
O Stay Fit nasceu a partir de um problema comum: muitas pessoas tentam mudar seus hábitos alimentares, mas acabam abandonando dietas quando a rotina fica pesada, restritiva ou difícil de sustentar.
A oportunidade não estava em criar apenas mais um app de controle de calorias. O desafio era pensar em uma experiência que ajudasse o usuário a manter consistência, encontrar apoio e transformar alimentação saudável em algo mais natural dentro da rotina.
Obs: esse case é uma síntese de uma versão mais completa feita no Notion.


Desafio proposto
Grande parte das soluções de saúde e fitness aposta em controle, métricas e disciplina. Esses recursos podem ser úteis, mas também podem gerar fricção, ansiedade e abandono quando exigem esforço demais para serem mantidos.
O desafio do projeto foi equilibrar autonomia, motivação e praticidade: oferecer suporte suficiente para o usuário evoluir, sem transformar o app em mais uma obrigação da rotina.
Objetivo
O objetivo foi criar um aplicativo mobile capaz de apoiar pessoas que buscam uma rotina mais saudável, combinando acompanhamento de hábitos, descoberta de conteúdos, apoio social e personalização.
Além da interface, o projeto buscou entender como transformar essa proposta em uma solução acessível e sustentável: útil para quem precisa de apoio na mudança de hábitos, mas também viável como produto. Para auxiliar nessa etapa, desenvolvi um plano dentro do framework HEART (clique na imagem para ampliar).

Pesquisa antes da solução
Antes de partir para a interface, o projeto começou com uma etapa de entendimento do problema. Foram combinados desk research, benchmarking, definição de hipóteses, matriz CSD e entrevistas semiestruturadas.
A pesquisa foi dividida em duas frentes: pessoas que já passaram por dietas ou mudanças de rotina, e profissionais de saúde que acompanham pacientes nesse processo. Essa divisão ajudou a observar tanto as dores práticas do dia a dia quanto os padrões percebidos por quem orienta essas mudanças.


Entrevistas com usuários e profissionais
As entrevistas foram conduzidas com dois grupos complementares: pessoas que já tentaram mudar hábitos alimentares e profissionais que acompanham esse processo, incluindo nutricionista, nutrólogo e personal trainer. A intenção era entender a dor por dois lados: a experiência real de quem tenta manter uma rotina saudável e a visão técnica de quem observa padrões de adesão, abandono e dificuldade ao longo do tempo.
Os relatos mostraram que o abandono de dietas raramente acontece apenas por falta de informação. Em muitos casos, o problema está na dificuldade de transformar conhecimento em rotina, especialmente quando a pessoa precisa lidar com planejamento, motivação, compras, preparo de refeições e acompanhamento de progresso ao mesmo tempo.
Esse aprendizado foi organizado em um mapa de afinidade que ajudou a mudar o foco do produto: em vez de priorizar uma experiência técnica e cheia de métricas, o app deveria apoiar decisões diárias, reduzir esforço cognitivo e tornar a mudança de hábitos mais sustentável.
Da pesquisa ao recorte de produto
A persona e a jornada ajudaram a visualizar onde o Stay Fit poderia gerar mais valor: não apenas no começo da mudança de hábitos, mas principalmente nos momentos em que a motivação cai, a rotina pesa e o usuário corre o risco de abandonar o processo.
A partir disso, o escopo foi direcionado para quatro pilares: recomendações de conteúdo e refeições, acompanhamento flexível, comunidade gamificada e apoio profissional ou automatizado como camadas opcionais.

Da pesquisa aos acionáveis
Com os principais aprendizados organizados, a execução avançou para o mapeamento das funcionalidades, definição de recursos gratuitos e premium, arquitetura da informação e wireframes.
A prioridade foi evitar que o produto se tornasse amplo demais logo na primeira versão. Por isso, as funcionalidades foram organizadas de acordo com sua relevância para a navegação principal, impacto na rotina do usuário e viabilidade para um MVP.


Arquitetura testada antes da interface final
Para estruturar a navegação, o projeto passou por um exercício de desdobramento de funções, card sorting fechado e uma sessão experimental de tree testing.
Mesmo com uma amostra pequena, essa etapa ajudou a identificar ambiguidades importantes: termos técnicos demais, funções que poderiam aparecer em mais de uma rota e áreas que precisavam ser mais claras para quem não tem familiaridade com aplicativos de saúde.
Wireframes, testes e priorização
O protótipo de baixa fidelidade foi testado com 5 pessoas em tarefas essenciais, como customizar atalhos, acessar progresso pessoal, encontrar planos e descobrir conteúdos relevantes.
Os problemas encontrados foram organizados em uma matriz de impacto e esforço. Essa etapa ajudou a separar ajustes simples de mudanças estruturais, levando a uma versão mais enxuta do aplicativo com 5 áreas principais: Home, Eu, Comunidade, Hub e Configurações.

Resultado: uma interface modular que se adapta à rotina do usuário
A solução final organiza o Stay Fit como um app modular, pensado para diferentes níveis de envolvimento com saúde e alimentação. Usuários que preferem uma experiência simples podem acompanhar hábitos de forma leve, enquanto usuários mais detalhistas podem adicionar módulos, métricas e integrações.
A interface prioriza cards, atalhos e áreas de descoberta, reduzindo a dependência de telas muito densas. O resultado é uma experiência mais flexível, com espaço para motivação, conteúdo, progresso e personalização.
Clique aqui para acessar o protótipo.
Observação: o protótipo foi feito manualmente, com 0% de uso de IA e cobre apenas a navegação do aplicativo, não o seu funcionamento. Basta clicar em “LOGIN” para navegar pelas telas através dos botões do rodapé e do cabeçalho, mas ainda não é possível interagir com os elementos.












Conclusão e aprendizados
Ao longo do projeto, ficou evidente a necessidade de equilibrar evolução de produto com foco no que realmente gera resultado.
Em um contexto onde novas ideias surgiam com frequência, foi essencial estruturar decisões com base em dados e evidências, reduzindo a dependência de percepções individuais e direcionando o esforço para o que impactava diretamente a experiência e a conversão.
Esse processo exigiu não apenas execução em UX, mas também um papel ativo na facilitação entre áreas, alinhando expectativas, priorizando entregas e garantindo que o produto avançasse de forma consistente, mesmo em um cenário dinâmico.
Antes de melhorar tudo, foi preciso direcionar o esforço.


